Um serviço bem brasileiro

É né, tava na hora de atualizar isso aqui... O Nayre finalmente devolveu minha crônica. Mais uma vez não tive saco de fazer uma revisão do texto. Estarei disponibilizando ela aqui, e deixando de brinde o meu protesto contra a "demissão" do Gerundismo.

Um serviço bem brasileiro, por Carlos Mazza

.......Esta moda de guardadores de carro está me dando nos nervos. O pior é que todo santo dia é a mesma coisa. Não há trégua ou acordo de paz com esses camaradas. Após escrever com afinco por horas e horas para este maravilhoso e digníssimo jornal, jornal este que o senhor ou senhora tem em mãos agora, arrumo meus humildes pertences, afrouxo o cinto e me dirijo ao estacionamento. E é no estacionamento que lá estão eles, sempre andando em círculos, gritando coisas uns aos outros e perseguindo algum cidadão inadimplente. Jovens e colassais, incansáveis e inalterados pela inexorável marcha do tempo, seguem sempre firmes em seu dever. Não importa o clima do dia, sempre lá estão eles, protegendo nossos carros que tanto trabalho deram para serem adquiridos.

.......Não existem escolhas nessa briga sem fim. Ou uso do meu humilde dinheiro para pagar pelo "serviço" prestado, ou lá se vai a lataria de meu carro. Em ambos os casos, quem sai perdendo é minha conta bancária. Eu sei que a coisa está muito difícil, até mesmo eu tenho que trabalhar feito louco só para pagar meu aluguel que não para de aumentar e para satisfazer as necessidades básicas da casa, e olhe que minha esposa sempre quer alguma roupa nova, e meu filho sempre precisa de um novo videogame. Mas nem mesmo com tantos obstáculos não consigo ter a chatice e a disposição enfadonha destes heróis homéricos do subúrbio. Para estes nobres camaradas, o mais simples boné torna-se imediatamente a mais eficiente capa de chuva
, um simples casaco e uma meia grossa sobre o chinelo gasto já são o suficiente para o mais congelante frio, e uma rude mão sobre a testa já basta para o sol forte do dia mais quente do verão.

.......Ah, e o que eu vou fazer sobre isso? Você se pergunta. Pois eu vou responder: Nada. Isso mesmo, nada nada, nadinha. Meu carro provavelmente seria arranhado e iria custar uma grana preta para consertar. Ué, o que foi? Qual o motivo da exaltação, meu caro e digníssimo leitor? Não tem mais não, é assim mesmo que acaba esta história. A exclusão social e a falta de oportunidades não são motivos para piada, e não serão resolvidas nesta crônica. Cabe ao governo brasileiro, que tira muito mais dinheiro de nós do que os guardadores, tomar providências para que este quadro de fome, abandono, miséria e exclusão um dia acabe, e que, se Deus quiser, os guardadores de carro sumam junto. Vou esperar esse dia com entusiasmo, sempre pagando o que "devo" aos meus senhores de vidro na mão, os guardadores de carro, que estão me dando nos nervos.

10 comentários:

Hortênsia disse...

Me amarrei no texto, ficou muito foda! hauahaahu ;P


(hauahauaahauahu.. Isso é uma tentativa de incentivo pra que vc atualize mais freqüentemente! :D)

Anônimo disse...

lolis! esse ficou mto bom! paguei pau msm!!!

Diogo disse...

Gostei do Texto, gostei mais ainda dos adjetivos dados aos flanelinhas e do final com um quê de sarcasmo.Muito bom.
=)

Viva Acapulco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Viva Acapulco disse...

Me apatece mendingos!

:~~~~ disse...

cacete, esse ficou demais cara o.o

dps me ensina a fzr assim

duh disse...

genial, trouxe uma lágrima aos meus olhos :')

Anônimo disse...

biutiful cara, véri biutiful

Anônimo disse...

nunca enjôo de ler esse =)

Anônimo disse...

copiei pra uma redação do colégiooooOOe aUHEUHKPOAKPOKEOPEK